Brendan McDermid|Reuters
Brendan McDermid|Reuters

Justiça dos EUA abre brecha para que entidades reivindiquem dinheiro de Marin

Instituições como Fifa e Conmebol podem ser restituídas pelos recursos desviados pelo ex-presidente da CBF

Jamil Chade, enviado especial / Moscou, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 18h50

A Justiça norte-americana abriu uma brecha e deu até o dia 6 de agosto para que a Fifa, Conmebol ou qualquer outra entidade esportiva apresente requerimentos de quanto querem que o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, pague como restituição do dinheiro que desviou do futebol.

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Em tese, a CBF também pode reivindicar dinheiro, uma vez que o cartola foi condenado por atos que realizou enquanto era presidente da entidade. Mas, por enquanto, a entidade nacional não se pronunciou.

No final de 2017, ele foi condenado por corrupção em Nova York. Mas aguarda numa prisão para saber quantos anos terá de permanecer detido. Sua sentença, segundo a Justiça americana, será anunciada no dia 17 de agosto.

Os advogados da Fifa já acusaram Marco Polo Del Nero, Marin e Ricardo Teixeira de "corrupção" e de terem prejudicado a "reputação" da entidade máxima do futebol. Apenas pelos danos causados pelos dirigentes brasileiros, a Fifa solicitou à Justiça norte-americana que seja reembolsada em US$ 5,3 milhões (cerca de R$ 20,4 milhões) pelos três dirigentes brasileiros.

Del Nero e Teixeira foram membros do Comitê Executivo da Fifa por anos e, segundo a entidade, teriam absorvido US$ 1,67 milhão (R$ 6,45 milhões) e US$ 3,5 milhões (R$ 13,5 milhões) respectivamente dos cofres da Fifa em gastos de viagem, hotéis e salários, sem contar o impacto sobre a reputação. Já Marin consumiu US$ 114 mil (R$ 440 mil).

 

Segundo a Fifa, os três cartolas brasileiros ocuparam "posições de confiança na Fifa e em organizações nacionais". "Ao longo dos anos, eles abusaram de suas posições para se enriquecerem, enquanto causavam danos significativos para a Fifa", indicou o documento oficial enviado para a Justiça americana.

"Os danos foram amplas perdas financeiras (incluindo salários e dinheiro desviados ao seus bolso, assim como dano para a reputação, relações comerciais e à propriedade intelectual da Fifa", indicaram os advogados. "Suas ações afetaram profundamente a marca Fifa e sua habilidade de usar os recursos para fortalecer o futebol", indicaram.

"Esse dinheiro não foi desviado apenas da Fifa, mas dos jogadores, técnicos e torcedores pelo mundo. Esse dinheiro era para ter sido usado para construir campos, não mansões e piscinas", atacou a Fifa. "Era para comprar uniformes, não joias e carros e não dar um estilo de vida abusivo aos dirigentes", insistiu.

Em um recurso apresentado ao Ministério Público dos EUA, a Fifa estima que precisa receber pelo menos US$ 28 milhões (R$ 108 milhões) do dinheiro já coletado pela Justiça americana dos cartolas. Além disso, a Fifa estima que teria direito a US$ 10 milhões (R$ 38 milhões) pelo esquema de compra de votos para as Copas de 1998 e 2010, além de custos de advogados - cerca de US$ 10 milhões por mês.

A Conmebol também quer a restituição de dinheiro, depois de constatar o desvio de mais de US$ 130 milhões (R$ 502 milhões) por parte dos dirigentes ao longo de 20 anos.

 

 

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