Vahid Salemi / AP
Vahid Salemi / AP

Morte de torcedora que colocou fogo em si mesma causa comoção no Irã

Sahar Khodayari, a Garota Azul, havia sido condenada a seis meses de prisão por ter ido ao estádio em Teerã

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de setembro de 2019 | 17h28

A iraniana Sahar Khodayari tinha o sonho de assistir a uma partida no estádio em seu país, onde as mulheres são proibidas de participar da maioria dos eventos esportivos. Ao ser condenada a seis meses de prisão por ter entrado disfarçada em uma arena para realizar seu sonho, a torcedora de 29 anos colocou fogo em si própria na saída de um tribunal iraniano. Sahar morreu na última segunda-feira, em Teerã, capital do Irã, uma semana depois de ser hospitalizada com queimaduras graves em 90% do corpo. 

Sarah era torcedora fanática do Esteghlal, um dos times mais populares do Irã. No mês de março, ela entrou no estádio Azadi com uma peruca azul, a cor do seu time do coração, e um casaco masculino. A partida seria contra um time dos Emirados Árabes Unidos. Ela acabou descoberta pelas autoridades e ficou detida em Teerã por alguns dias. De acordo com a agência de notícias Shafaghna, a morte de Sahar causou comoção no Irã.

À medida que se espalhava a notícia de que havia se incendiado, Sarah passou a ser conhecida nas redes sociais como a “Garota Azul”. A hastag BlueGirl se tornou um símbolo do apoio contra a opressão às fãs do futebol feminino. Seu nome se tornou um grito de guerra internacional para o Irã acabar com sua discriminação contra as mulheres e permitir que elas participem de eventos esportivos. Várias autoridades expressaram choque e indignação com o que aconteceu com Khodayari.

O Esteghlal emitiu comunicado em solidariedade à família da vítima. O ex-meia iraniano Ali Karimi, que jogou no Bayern de Munique, pediu boicote aos jogos no Irã como forma de protesto pela morte da torcedora. Ele é defensor do fim da proibição de mulheres nos estádios, algo que é estabelecido por lei no Irã até hoje.

Durante a Copa do Mundo de 2018, o Estado conversou com torcedoras iranianas que tiveram de viajar para a fora do País, no caso, a Rússia, para realizar o sonho de ir ao estádio. Nesta segunda-feira, o atacante Mazola, ex-jogador do São Paulo, contou episódios de sua vida no Irã.  "A gente pode cumprimentar as mulheres com um aperto de mão, por exemplo. A academia tem horários diferentes para homens e mulheres. Eles não fazer exercícios no mesmo horário. Das 9 às 16h, a academia é das mulheres. Das 17h às 23h é só para os homens", diz Marcelino Júnior Lopes Arruda.

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