Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Neymar se vê 'bem mais preparado' para ganhar uma Copa do que em 2014

Nos últimos quatro anos, atacante se confirmou entre os principais atletas do futebol mundial

Almir Leite, ENVIADO ESPECIAL / VIENA, O Estado de S.Paulo

09 Junho 2018 | 15h00

Enfim, está chegando o momento em que Neymar esperou desde 2014. Desde que se recuperou do susto de quase perder os movimentos das pernas ao sair da Copa do Mundo quatro anos atrás atingido pelo colombiano Zúñiga, o craque sonha com o torneio na Rússia, que encara como a segunda e mais importante chance de entrar para a história do futebol como campeão do mundo. Em uma semana, contra a Suíça, vai dar o primeiro dos sete passos que podem levá-lo, aos 26 anos, a ganhar com a seleção brasileira um dos poucos títulos de peso que faltam à sua coleção.

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Hoje, em Viena, contra a Áustria, Neymar fará seu segundo jogo seguido após três meses parado. Espera desta vez que nem ele nem o Brasil revivam a frustração de quatro anos atrás. “Estou mais experiente, mais vivido. Sabendo o que é uma Copa, vou me preparar melhor do que em 2014”, comenta.

Daquele 4 de julho de 2014 até hoje, Neymar esteve sempre em evidência. Pelo que fez de bom e de ruim em campo e pelas confusões em que se meteu, ou se viu metido, fora dele. Bem ou mal, vem superando os obstáculos, mas, por mais otimismo que tenha com Tite, não vai chegar à Rússia da maneira que queria: na plenitude de sua forma física, técnica e emocional.

Tudo por causa da contusão grave sofrida no PSG em 25 de fevereiro, no pé direito, que o deixou com medo e receio de não jogar a Copa. Menos mal que deu tempo. Foram dias e noites de fisioterapia, boa dose de “sofrimento” nos três meses em que ficou de molho e algumas decisões a contragosto do PSG. “O que me fez esquecer um pouco a lesão foi a família e os amigos. Eu me dediquei para chegar bem ao Mundial”, diz.

O craque foi operado em Belo Horizonte, passou a maior parte do período de recuperação em sua casa de Mangaratiba (RJ) em companhia do inseparável fisioterapeuta Rafael Martini, o Rafa, e amenizou o sofrimento recebendo visitas dos amigos, dirigentes e, claro, da namorada Bruna Marquezine. Também jogou pôquer, foi a festas e em programas de TV. Vida social intensa para quem não podia colocar o pé no chão. Mas Neymar é assim mesmo.

 

Desde a apresentação no Rio em 21 de maio, ele só pensa na Copa. Nem a sedução do Real Madrid parece desconcentrá-lo. Quer chegar à Rússia voando. Está 80%, segundo seus próprios cálculos. Admite ainda sentir dor e receio. “Mas a cada treinamento vou me soltando mais. Não há nada que possa me impedir (de disputar a Copa).”

Quatro anos atrás, com a responsabilidade de carregar nas costas uma seleção mal formada, Neymar foi impedido de ir em frente ao sofrer a fratura na terceira vértebra lombar que o tirou do Mundial de maca. Chorou, agradeceu aos brasileiros pelo carinho e acompanhou estarrecido, como todos, a surra sofrida pela Alemanha.

Porém, 45 dias depois estava de volta com a camisa do Barcelona para conquistar na temporada 2014/15 o Espanhol, a Copa do Rei e a Liga dos Campeões. Na Liga, foi artilheiro ao lado de Cristiano Ronaldo e Messi, com dez gols cada. Destronar o português e o argentino é um dos objetivos de Neymar.

De volta à seleção, com Dunga, Neymar tornou-se um jogador nervoso, irritadiço e descontrolado. Mesclava lances geniais com reações intempestivas. Envolveu-se em confusão no reencontro com a Colômbia na Copa América do Chile. Perdeu a cabeça e foi expulso.

OURO OLÍMPICO

Neymar ficou fora de alguns jogos pelo Brasil e o Barcelona, que o obrigou a ter férias. Só assim poderia disputar os Jogos olímpicos do Rio. Neymar chegou fora de forma e de ritmo depois das férias. Foi mal nos dois primeiros jogos. Os torcedores chegaram a brincar que o verdadeiro Neymar era a Marta, do time feminino. Ele sentiu o golpe, até dar a volta or cima contra a Alemanha na final do Maracanã. “Vão ter de me engolir”, disse.

Com o tempo, o Barcelona ficou pequeno. Nas mãos de Tite, ele tirou um peso das costas. O Fisco espanhol não lhe dava trégua. Perdeu a alegria ao lado de Messi até ser envolvido na maior transferência de um jogador de todos os tempos, R$ 820 milhões, ao PSG.

Agora, Neymar chega à Copa rico. No PSG, ganha R$ 166,3 milhões por ano. Recebe milhões como garoto-propaganda. Este ano ele ganhará R$ 120 milhões em publicidade – é parceiro de quase duas dezenas de empresas. Seu patrimônio está avaliado em R$ 600 milhões. O brasileiro é figura carimbada em festas de celebridades, como o piloto britânico de Fórmula 1 Lewis Hamilton.

 

 

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