Matthias Schrader/AP
Matthias Schrader/AP

Análise: Os ‘pequenos príncipes’ de Deschamps dão a Copa da Rússia para a França

Boa parte do grupo campeão neste domingo tem vida para mais um ou dois Mundiais

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

15 Julho 2018 | 14h02

A França é bicampeã mundial. Iguala-se a Uruguai e Argentina. Consegue seu segundo título mais importante na história do futebol numa diferença de 20 anos ou cinco copas. Melhor fisicamente e precisa em seus ataques, superou uma Croácia valente e que ficou com a bola a maior parte do tempo da grande final da competição na Rússia. A França mereceu a conquista. Venceu por 4 a 2. Paris está em festa. O melhor de tudo isso para os franceses é saber que esse grupo, ou boa parte dele, tem vida para mais uma ou duas Copa dos Mundo. Mbappé, por exemplo, que marcou o quarto do time francês em Moscou, tem apenas 19 anos.

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Os croatas estavam estafados na decisão, mas isso não foi motivo para fazê-los desistir da inédita conquista. A inédita decisão eles já tinham. Foi uma seleção brava, que só fez ampliar a façanha francesa e deu um belo recado ao mundo. “Estamos aqui”. Deschamps passa a ser campeão como jogador e treinador - só o nosso querido Zagallo havia sido e o alemão Franz Beckenbauer. Poderia parar sua carreira agora e seria eternamente reconhecido em seu país.

A França fica com a taça depois de passar por rivais importantes, como Argentina, Uruguai e Bélgica. Seria interessante o confronto dos franceses com os brasileiros, mas esse jogo nunca vai existir nesta Copa. O Brasil não teve competência para passar pelos belgas, que ficaram com o terceiro lugar depois de perder dos franceses e ganhar dos ingleses. A França, com sua legião de “pequenos príncipes” encantou a todos de novo, principalmente depois daquela arrancada de Mbappé contra os argentinos. Mas ela não repetiu a boa atuação em nenhuma partida até erguer a taça. Contra os croatas, o time de Pogba e Kanté mostrou maturidade, inteligência e seriedade, ingredientes básicos de um bom campeão - mais uma vez tudo o que faltou à seleção de Tite e Neymar.

Aos croatas, a segunda colocação com sabor de conquista pelo que mostraram na Rússia. Um time com graça, humildade e disposição. Não vi nenhuma outra seleção na Copa que tenha lutado mais do que a Croácia. Nenhuma. O Uruguai, outro desses times que jogam pela pátria, correu, se tanto, da mesma forma, mas não mais. Os ‘Modrics’ têm o meu respeito.  

 

Essa Copa de 2018 nos deu algumas lições importantes também. A primeira delas é que a distância do time favorito e do time menos favorito é cada vez menor. O futebol está muito parelho, todos correm ao máximo e o campo parece pequeno para a magia de antigamente. Pelo menos com esses jogadores que vimos na Rússia. A segunda lição é que história ou tradição não ganha mais jogo. A seleção brasileira foi testemunha disso. Respeitada, foi engolida pela Bélgica e teve dificuldades na maioria de suas partidas. Outra lição, para ficar em três, é que a Europa domina a competição e vai continuar dando as cartas se nada for feito nos outros continentes, principalmente o sul-americano. Da edição de 2006 para 2018, só os europeus ficaram com a taça. Em 2006, deu Itália. Em 2010, Espanha. No Brasil, em 2014, a Alemanha festejou a conquista. E agora, na Rússia, a França ganha o mundo.

 

 

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