Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Passagem de bastão?

Não há linha de chegada quando o assunto é ocupar a posição de melhor jogador do planeta e, assim, dominar a modalidade

Milton Leite, jornalista

03 Julho 2018 | 04h00

Como numa prova de revezamento do atletismo, em todas as modalidades esportivas há momentos emblemáticos de mudança. Aquele momento em que o atleta que carrega o bastão vai diminuindo a própria velocidade e quem recebe dispara em direção ao próximo integrante da equipe - ou à linha de chegada. No futebol, não há linha de chegada quando o assunto é ocupar a posição de melhor jogador do planeta e, assim, dominar a modalidade durante um período. Há sempre um próximo personagem a receber o bastão.

+ LEANDRO SILVEIRA: A difícil, mas melhor chance de Neymar nos próximos quatro anos

+ LUIZ ZANIN ORICCHIO: Brasil se reafirma como favorito

+ Leia outros colunistas de Esportes

A arrancada de Mbappé a 32 quilômetros por hora para percorrer 64 metros no último sábado, em Kazan, no pênalti que sofreu para o primeiro gol da vitória da França por 4 a 3 sobre a Argentina, pode ter sido um destes momentos.

Emblemático que tenha sido justamente na partida que eliminou Lionel Messi e poucas horas antes de Cristiano Ronaldo também voltar para o hotel e arrumar as malas para deixar a Rússia - no dia seguinte, o aeroporto também foi o destino de outro gigante da última década: Iniesta, da Espanha, que acabou eliminada nos pênaltis pela anfitriã Rússia.

Cristiano Ronaldo e Messi, obviamente, continuarão fazendo a diferença em seus respectivos clubes por algum tempo, mas nas seleções é pouco provável que ambos ainda tenham fôlego para carregar estes fardos, aos 33 e 31 anos, respectivamente. Na próxima Copa do Mundo, em 2022, no Catar, eles estarão com 37 e 35 - continuarão nas seleções depois da Rússia? Iniesta já anunciou que não tem mais condições de jogar no nível de exigência de um clube como o Barcelona ou de uma seleção de ponta como a espanhola.

O candidato natural a ocupar o posto de maior prestígio no futebol internacional, de fato, é Neymar. Mas para não ser ultrapassado pela história, o atacante brasileiro precisa agregar ainda uma boa dose de humildade ao caráter e senso coletivo aos inegáveis poder de criação e capacidade técnica.

Kylian Mbappé Lottin nasceu em Bondy, meses depois de a França ter conquistado seu único título mundial jogando em casa, em 1998. Surgiu nas categorias de base do Monaco e defende seleções nacionais a partir do sub 17. Desde a temporada passada veste a camisa do multimilionário Paris Saint-Germain, pelo qual fez expressivos 21 gols em 44 partidas. Dependendo de como ele e a França terminarem este Mundial, Mbappé chegará com novo status ao clube de Paris. Não será mais apenas um ótimo escudeiro para Cavani e Neymar.

Se para o brasileiro a corrida já está no meio do caminho, para o francês acaba de ser dada a largada. O resultado final das respectivas seleções aqui na Rússia devem dar a medida do prestígio de cada um nos próximos anos.

Neymar pode até dominar o próximo ciclo, os quatro anos que separam as Copas da Rússia e do Catar, mas a indicação é de que Mbappé tem a possibilidade de reinar por um período mais longo, como fizeram Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, até por não ter a concorrência de gente deste calibre, como acontece atualmente com Neymar.

O que não significa que Mbappé (e o mesmo vale para Neymar) atingirá o mesmo nível do argentino e do português. Pode ser. No entanto, tem dado mostras de que pode ser a grande estrela da próxima década, principalmente se vierem títulos pela seleção e, em nível continental, pelo PSG.

*MILTON LEITE É NARRADOR DO SPORTV

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.