Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Preocupação com pênaltis pode ser decisiva para o Brasil no Mundial

Seleção tem treinado fundamento desde o início de preparação para a Copa, em maio

Almir Leite e Marcio Dolzan, enviados especiais / Sochi, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 05h00

Se a vaga na semifinal da Copa do Mundo for decidida nos pênaltis, a seleção brasileira vai estar preparada para levar a melhor no duelo com a Bélgica nesta sexta-feira, pelas quartas. Pelo menos no que depender de treinamento. A execução de cobranças tem sido uma constante desde que o time se reuniu na Granja Comary, no fim de maio, e foi intensificada na fase de mata-mata.

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O treinamento de penalidades normalmente fecha as atividades diárias da seleção. Há um rodízio, e todos os jogadores de linha já têm um número razoável de cobranças. A cada sessão, um jogador cobra três vezes no máximo. Em algumas ocasiões, a quantidade é pouco maior.

O cobrador oficial da seleção é Neymar. Ele é o encarregado de bater durante os jogos. Philippe Coutinho, Miranda, Gabriel Jesus, Thiago Silva, Willian e Marcelo, entre os titulares de Tite, também são considerados eficientes no fundamento, assim como Fernandinho. O meio-campista do City jogará contra a Bélgica em Kazan porque Casemiro está suspenso por ter recebido dois amarelos.

Nesta Copa, a seleção brasileira ainda não teve nenhum pênalti a seu favor. Não há até agora uma definição prévia dos cinco cobradores em caso de disputa contra os belgas. Entre outros aspectos, a condição emocional do jogador será levada em consideração para a escolha. “Treinamento é uma coisa, dentro do jogo é outra”, explicou Casemiro. Ele pediria para ser um dos batedores se pudesse jogar.

Cobrador oficial, Neymar já executou 13 pênaltis pela seleção. Converteu dez deles. O último pênalti a favor da equipe ocorreu no amistoso contra a Rússia, em março, em Moscou. Philippe Coutinho marcou na vitória por 3 a 0 – Neymar, contundido, não estava em campo.

Em Copas do Mundo, a última disputa por pênaltis da seleção foi no Mundial de 2014, contra o Chile, nas oitavas de final. Vitória por 3 a 2. Na ocasião, David Luiz, Marcelo e Neymar fizeram, mas Willian e Hulk perderam. Na Copa América do ano seguinte, realizada no Chile, o Brasil caiu nos pênaltis nas quartas de final diante do Paraguai: 4 a 3. Fernandinho, Coutinho e Miranda marcaram e Douglas Costa e Everton Ribeiro desperdiçaram.

 

Na Olimpíada do Rio, em 2016, três jogadores que estão na seleção na Rússia cobraram na vitória por 5 a 4 nos pênaltis sobre a Alemanha, que deu ao Brasil a inédita medalha de ouro: Renato Augusto, Marquinhos e Neymar, que fechou a série e garantiu a conquista.

O treinamento de cobranças de pênaltis, evidentemente, também serve para aprimorar os goleiros, sobretudo Alisson, o titular de Tite. Eles têm até uma carga extra. O preparador de goleiros Taffarel – campeão do mundo em 1994 na decisão por penalidades contra a Itália, quando pegou a cobrança de Massaro – decidiu fazer um trabalho específico para os goleiros, por prever que, com o uso do VAR, o árbitro de vídeo, o número de pênaltis seria alto na Copa. Isso está ocorrendo.

“Com o auxílio da televisão, vão acontecer mais pênaltis e a gente tem de se preparar bastante para isso”, comentou, no início dos treinos para a competição, ainda em Teresópolis.

Assim, ele e seu auxiliar, Rogério Maia, trabalham diariamente com os três goleiros a defesa de penalidades. E, com a ajuda dos analistas de desempenho da seleção, mapearam todos os principais cobradores dos adversários. Nos próximos dias, o enfoque será total nos cobradores da Bélgica. / COLABORARAM CIRO CAMPOS E LEANDRO SILVEIRA

 

 

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