Hélvio Romero/Estadão
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Mauro Cezar Pereira
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Que México de Osorio é esse, Brasil?

É um treinador capaz de mudar o time a cada partida, de alterar radicalmente o posicionamento e as tarefas dos atletas

Mauro Cezar Pereira, colunista

30 Junho 2018 | 04h00

Brasil x México poderá se tornar um confronto surpreendente, como às vezes costuma ser o colombiano que comanda o time tricolor. Juan Carlos Osorio é um treinador capaz de mudar o time a cada partida, de alterar radicalmente o posicionamento e as tarefas dos atletas. Sua passagem pelo São Paulo em 2015 não nos deixa esquecer. E tamanha ousadia leva a extremos. Vitórias retumbantes, como sobre a Alemanha na estreia da Copa, ou goleadas impiedosas de adversários, como os 7 a 0 impostos pelo Chile em 2016. Neste Mundial, a equipe já mostrou como é capaz de ir do céu ao inferno ao perder por 3 a 0 para a Suécia apenas dez dias após bater os campeões mundiais.

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E como vem atuando o México na Copa? À frente do goleiro Guillermo Ochoa, os zagueiros Carlos Salcedo, mais participativo na saída de bola; e Hector Moreno. O principal acionado do time é Hector Herrera, volante que percorre o campo de uma intermediária a outra pelo meio, derivando pela direita. À esquerda dele atua Andres Guardado, na organização. Os laterais Edson Álvarez e Jesus Gallardo apoiam em parceiras, respectivamente, com Miguel Layún pela direita e Hirving Lozano na esquerda. Carlos Vela se posiciona à frente, como homem que se aproxima do centroavante Javier “Chicharito” Hernández.

Se o Brasil concentra jogadas pela esquerda, os mexicanos fazem um jogo bem distribuído entre o setor central e os dois flancos. Finalizaram 46 vezes nos três jogos da fase de grupos, 12 no alvo. Somam 28 arremates de fora da área, mas seus três gols foram de dentro dela. Lozano, Layún e Vela, com oito cada, foram os que mais tentaram, seguidos de “Chicharito”, com sete. Ou seja, 67% dos tiros desferidos por apenas quatro atletas. O Brasil é o segundo que mais finaliza (57), atrás da Alemanha, que saiu da Copa com 72, sendo 26 diante do México, time que permitiu maior quantidade de finalizações contra si: 58. O Brasil está no outro extremo de tal ranking, com apenas 19, empatado com Uruguai.

O México trocou 1.120 passes certos na fase de grupos, contra 1.733 dos brasileiros. A Espanha, com 2.158, lidera a lista. A equipe de Tite é a que acumula mais chances criadas entre as que seguem na Copa: 41. Fica atrás apenas da eliminada Alemanha, com 57; mas o time de Juan Carlos Osorio já mostrou que também chega, tanto que é o quarto no geral com 37. O México foi o quinto em desarmes (38), com o Brasil em nono (34). Nas interceptações, os oponentes do time “canarinho” aparecem em nono (37) e a equipe da CBF em 15.º (33), mas ambos não estão bem nas jogadas aéreas vencidas, respectivamente 17.º (49,4%) e 23.º (46,7%).

 

Os mexicanos estão em 20.º lugar no ranking de faltas (37) e os brasileiros, com 29, só cometeram uma infração a mais do que o Japão, o menos faltoso da Copa. O Brasil é o mais vezes flagrado em impedimento, nove, ao lado de Inglaterra e Senegal, enquanto o México teve apenas três (22º). Os astecas levaram 45 faltas e os pentacampeões 43, distantes dos argentinos, os mais caçados, com 57. Há favoritismo dos comandados de Tite? Sim. Mas a imprevisibilidade e boas ideias do técnico rival não podem ser descartadas. Se Osorio estiver inspirado e seus jogadores corresponderem, o risco crescerá.

Gabriel Jesus não fez sequer uma finalização certa em três jogos da Copa até aqui. Mandou uma bola no travessão e deu uma assistência acidental - não conseguiu dominar a bola cabeceada por Firmino e ela ficou à disposição de Philippe Coutinho para abrir o placar contra a Costa Rica. Sim, o jovem atacante corre muito, desarma, joga para o time. Mas centroavantes ainda têm como missão prioritária fazer gols. E ele os tem perdido. Questionamentos são naturais, ainda mais quando o concorrente, que é o próprio Firmino, está pedindo passagem.

*MAURO CEZAR PEREIRA É COLUNISTA DO ‘ESTADÃO’ E COMENTARISTA DA ESPN

 

 

 

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