Yuri Kadobnov/AFP
Yuri Kadobnov/AFP

Sérvia coloca orgulho em campo na decisão com o Brasil

País oriundo da antiga Iugoslávia busca uma glória inédita para a nova nação, que nos últimos anos viu os vizinhos se destacarem

Ciro Campos e Marcio Dolzan, enviados especiais / Moscou, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2018 | 05h00

A Sérvia é um nome novo em Copas do Mundo, mas tem tradição no futebol. Dessa forma, o time tenta resgatar o orgulho nacional no esporte. O país oriundo do esfacelamento da antiga Iugoslávia, na década de 1990, busca alcançar com a possível conquista da vaga nas oitavas de final uma glória inédita para a nova nação, que nos últimos anos viu os vizinhos se destacarem dentro de campo.

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O fim da Iugoslávia colocou sete novos países (Sérvia, Montenegro, Croácia, Eslovênia, Bósnia-Herzegovina, Macedônia e Kosovo) no mapa do futebol e da Fifa e manteve tensões étnicas e políticas entre nações que até poucos anos atrás compunham o mesmo mapa. Nas Eliminatórias da Copa de 2014, Croácia e Sérvia se enfrentaram duas vezes, ambas com torcida única, para evitar brigas nas ruas das capitais Zagreb e Belgrado, respectivamente.

Neste Mundial, na derrota por 2 a 1 para a Suíça, os sérvios tiveram de aguentar as provocações dos jogadores adversários ao comemorarem gols com gestos em alusão à bandeira da Albânia. Os atletas de origem em Kosovo imitaram com as mãos a posição da águia na bandeira albanesa, uma referência ao pedido para que os sérvios reconheçam a independência do território kosovar.

A celebração irritou os atletas sérvios. Nesta terça-feira, 26, ao irem ao estádio em Moscou para o treino de véspera e entrevistas oficiais da Fifa, todos demonstraram a vontade de dar orgulho ao novo país. “Temos de satisfazer a população da Sérvia e nossos torcedores mais fanáticos pelo futebol. Não temos nada a temer, vamos dar tudo de nós”, afirmou o técnico Mladen Krstaji, que como zagueiro disputou a Copa de 2006 pelo agora extinto país de Sérvia e Montenegro.

 

A Sérvia disputou a primeira Copa do Mundo como nação independente em 2010, quando não passou da primeira fase na África. Para 2014, acabou superada na classificação pela Croácia, vizinha que desperta no país grande rivalidade. Na ocasião do desmanche da Iugoslávia, as duas nações travaram uma sangrenta guerra e coube aos croatas a vantagem de ficar com a saída para o Mar Adriático. A Sérvia não tem litoral.

O revanchismo sérvio também se estende ao futebol, pois a equipe nunca conseguiu protagonismo em competições, ao contrário dos inimigos. A Croácia, por sua vez, foi semifinalista da Copa de 1998, assim como tem presenças constantes em Eurocopa, ao contrário dos antigos aliados. Apesar de ser o centro político e cultural da antiga Iugoslávia, a Sérvia perdeu prestígio e poderio no futebol e viu o crescimento de nações que antigamente eram coirmãs como Eslovênia e Bósnia-Herzegovina, ambas participantes de Mundiais da Fifa recentes.

“Neste jogo com o Brasil temos de dar aos nossos torcedores alguma alegria, mesmo que seja pela nossa atitude, pela nossa abordagem do jogo. Tenho confiança na Sérvia. É uma situação de tudo ou nada. Não vamos nos poupar pela vitória”, afirmou o capitão e lateral Aleksandar Kolarov. “Nosso país perdeu chance de participar da última Copa. Mas mostramos qualidade e temos chances de vencer”, garantiu o treinador.

 

 

 

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