Everton Oliveira/Estadão
Everton Oliveira/Estadão

Tá russo! A culinária russa foi uma boa surpresa

A Rússia ainda não consegue fazer frente às culinárias italiana e brasileira, mas não me deixou decepcionado

Leandro Silveira*, enviado especial / São Petersburgo, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 04h00

A culinária da Rússia lembra a participação da sua seleção nacional na Copa do Mundo. Se havia preocupação do repórter com o que iria encarar à mesa de refeições nos mais de 30 dias de cobertura do torneio em um país tão longe de casa, o torcedor russo convivia com o medo de ver a equipe dar vexame e se tornar o primeiro anfitrião da competição a ser eliminado na fase de grupos. Mas nada disso aconteceu.

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Se dentro de campo não foi possível repetir a campanha de 1966, quando a então União Soviética avançou até as semifinais, terminando a Copa na Inglaterra em um expressivo quarto lugar, a Rússia não fez feio ao ser eliminada nas quartas de final na disputa de pênaltis contra a Croácia, garantindo a oitava colocação.

Já entre garfos e facas, a Rússia, na avaliação do repórter, ainda não consegue fazer frente às culinárias italiana e brasileira e, sim, o deixou com saudades de saborear feijoada e churrasco. Mas apresentou boas surpresas e não o levou a se sentir esfomeado e ter qualquer indigestão. Pelo contrário.

É verdade que no início da cobertura a aposta foi na “bola de segurança”. Com um restaurante italiano ao lado do hotel, a escolha óbvia foi recorrer ao macarrão no almoço e à pizza no jantar – sempre, claro, que o trabalho permitiu a realização dessas refeições, o que nem sempre é recorrente em Copas do Mundo. Além disso, a língua, como diversas vezes escrito por diferentes colegas nesta coluna, era um fator ainda mais a atrapalhar. Afinal, os cardápios nem sempre contam com fotos e explicações em inglês, língua raramente falada pelos locais – e, nesse aspecto, ser poliglota é algo que torna o trabalho do garçom na Rússia um diferencial, como aprendemos no dia a dia.

Desculpas deixadas de lado, era preciso variar, até como Tite pareceu demorar a descobrir durante a campanha da seleção brasileira na Rússia. Afinal, qual seria a graça de viajar mais de 10 mil quilômetros para se repetir na alimentação? E quando as massas passaram a ter o sabor repetitivo e a confiança no trabalho dos restaurantes aumentou, foi o momento de se apreciar a culinária local. E acabou dando certo.

 

O prato mais conhecido pelos brasileiros é o estrogonofe. Mas há diferença considerável em relação ao que é consumido no Brasil – e não só pela qualidade. A principal delas é que não há arroz. Além disso, a batata palha é trocada pelo purê. O sabor, reforçado por creme de leite e tomate, é, em todas as ocasiões em o repórter solicitou o prato, sempre ótimo, especialmente pela consistência da carne, macia a ponto de derreter.

Também há uma entrada famosa, a sopa de beterrabas, conhecida como “borsch”. O caldo é mais grosso e ainda leva leite condensado. O sabor é bom, mas deixa a impressão de que a sua leveza é o fator que o torna famoso. Além disso, é o predileto para os que gostam fotografar pratos nas redes sociais – a reportagem do Estado o fez algumas vezes nos últimos dias em seus perfis pessoais.

A culinária russa também conta com panquecas com caviar, aquele tão pouco conhecido pelos brasileiro. Assim como os espetinhos, que trazem memórias das proximidades dos estádios de futebol no Brasil. E há um verdadeiro culto ao pepino, que está presente até em sabor de refrigerante, e ao tomate, presente em todos os pratos e com sabor melhor do que o brasileiro.

Os doces também são apreciáveis, como o chak-chak, típico da região do Tartaristão, uma massa frita banhada com mel. Mas nada, na opinião do repórter, supera o bolo Napoleão, de massa folhada. Entre esses e outros doces, uma coincidência: a preocupação com a sua apresentação. É como se os cozinheiros quisessem demonstrar a qualidade do que é servido. Conseguiram. 

*REPÓRTER DO ‘ESTADÃO’

 

 

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