Divulgação/Consórcio Rio Motorsport
Divulgação/Consórcio Rio Motorsport

Tempo de construção de autódromos desafia previsão de Bolsonaro sobre Fórmula 1 no Rio

Apesar de estimativa de sete meses, pistas que recebem a categoria costumam levar mais de um ano para ficarem prontas

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2019 | 11h30

Apesar da declaração do presidente Jair Bolsonaro de que o autódromo do Rio levaria no máximo sete meses para ficar pronto e em condições para receber a Fórmula 1, a realidade das obras recentes feitas para receber a categoria mostra um caminho oposto. O Estado pesquisou o tempo de construção de 12 circuitos inaugurados para a competição nos últimos 20 anos e encontrou que em média a obra de uma pista leva no mínimo um ano para ficar pronta.

O Rio conta com o novo autódromo em Deodoro para passar a receber a Fórmula 1 no lugar de São Paulo. Os idealizadores têm em mãos um projeto avaliado em R$ 700 milhões de uma pista com mais de 5 mil metros de extensão, capacidade para receber mais de 130 mil pessoas e ainda a construção no mesmo espaço de uma arena multiuso para shows e eventos.

Na semana passada, Bolsonaro anunciou em evento no Rio que assinou o termo de compromisso para construção ao autódromo para realizar a prova já em 2020. Porém, tanto os organizadores da prova em Interlagos como o governador de São Paulo, João Doria, e o prefeito de São Paulo, Bruno Covas, contestaram a informação, ao garantir que a capital paulista tem contrato com a categoria para receber o evento pelo menos até 2020.

Além de citar a data para realização da prova no Rio, Bolsonaro disse que a pista ficaria pronta entre seis e sete meses. Por outro lado, mesmo os organizadores do projeto têm outra estimativa. JR Pereira, diretor executivo do consórcio Rio Motorsports, responsável pelo projeto do autódromo, disse ao Estado que a construção da nova pista levaria no melhor cenário 14 meses.

O projeto do autódromo carioca tem a assinatura do arquiteto alemão Hermann Tilke, que também foi o autor dos desenhos de várias pistas do calendário da Fórmula 1. O Estado realizou uma pesquisa para levantar informações sobre quanto tempo cada um dos recentes autódromos levou para ficar pronto e em condições de receber uma prova da categoria.

Sepang, na Malásia

A primeira parceria entre Tilke e a Fórmula 1, a pista na Malásia integrou o calendário da categoria de 1999 até 2018. A obra levou ao todo 16 meses para ser concluída.

Sakhir, no Bahrein

O autódromo barenita foi construído no deserto, com investimento pesado do rico governo local. A inaguração foi em 2004, depois de cerca de dois anos de obras.

Xangai, na China

A Fórmula 1 desembarcou no país asiático pela primeira vez em 2004, depois do projeto elaborado pelo arquiteto alemão levar cerca de um ano e meio para ser entregue. As obras foram tocadas em ritmo acelerado, com até 3 mil funcionários envolvidos diariamente na construção.

Buddh, na Índia

O autódromo erguido nos arredores de Nova Déli só recebeu a Fórmula 1 em três ocasiões, a primeira delas em 2011. O tempo de obra foi de um ano e 11 meses.

Yeongnam, na Coreia do Sul

Esteve outro projeto de Tilke custou cerca de R$ 1 bilhão e foi entregue em apenas um ano e um mês. A corrida esteve no calendário de 2010 a 2013 e esbarrou em problemas como a falta de hotéis nas cidades próximas para receber turistas e funcionários da categoria.

 

Istambul, na Turquia

Uma das pistas favoritas de Felipe Massa, o autódromo turco passou a fazer parte do calendário em 2005, após passar um ano e 11 meses em construção.

Sochi, na Rússia

Erguido no Parque Olímpico que recebeu os Jogos de Inverno de 2014, a pista russa contou com apoio maciço do presidente Vladimir Putin para ser viabilizada. Foram três anos e dois meses de construção até a estreia do circuito no calendário, em 2014.

Yas Marina, em Abu Dabi

A pista que encerra o calendário da Fórmula 1 está situada em uma ilha artificial cerca de hotéis de luxo e atrações turísticas. O local passou por dois anos e cinco meses de obra até ficar pronto.

Marina Bay, em Cingapura

Primeira etapa noturna da Fórmula 1, a corrida está no calendário desde 2008. O circuito passou por obras durante um ano, porém demandou um tempo menor por ser um traçado de rua, com parte da estrutura já existente antes do início do projeto.

Valência, na Espanha

Estreante na Fórmula 1 em 2008, a pista espanhola levou um ano e um mês para ficar pronta. O traçado é de rua.

Circuito das Américas, nos Estados Unidos

O moderno autódromo americano, outra criação de Tilke, recebe pela primeira vez a Fórmula 1 em 2012. As obras foram realizadas em um ano e dez meses.

Hanói, no Vietnã

O novo circuito da Fórmula 1 vai entrar na categoria no ano que vem. O traçado será de rua e vai utilizar parte da malha urbana da capital vietnamita. As adequações para a Fórmula 1 vão levar um ano e um mês.

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