Benoit Tessler/Reuters
Benoit Tessler/Reuters

Bellucci vai se aperfeiçoar nos EUA para se recolocar entre os melhores

Recuperado de lesão que o jogou para 113º da ATP, tenista brasileiro passará a treinar na Flórida, com nova equipe

Felipe Rosa Mendes, O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2017 | 07h00

Recuperado de lesão, Thomaz Bellucci vai mudar de ares e de país em 2018. O tenista brasileiro passará a morar nos Estados Unidos já a partir do começo do próximo ano. A decisão faz parte de uma estratégia para reagir no circuito. Para tanto, fará mudanças em sua equipe e terá um técnico novo, que atuará em parceria com André Sá. 

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O novo treinador de Bellucci será um espanhol, mas o nome ainda não foi revelado porque o acordo não está totalmente formalizado. Ambos vão trabalhar juntos em Bradenton, na Flórida, estado norte-americano conhecido pelo tradicional Masters 1000 de Miami e por famosas academias de tênis. Com 29 anos de idade, sendo se tornará um "trintão" no próximo sábado, está bastante animado para recuperar seu espaço no circuito.

“É a primeira vez que me mudo. Sempre treinei em São Paulo. No ano passado, fiquei um pouquinho no Rio de Janeiro, por causa do João Zwetsch (capitão da Davis e seu ex-técnico), mas não me adaptei muito bem ao local”, disse Bellucci, em entrevista exclusiva ao Estado. “Agora vou para Bradenton, que tem uma boa estrutura para o tênis. Tem bastante jogador para treinar no dia a dia.”

Bellucci deve fazer a mudança nos próximos dias, na companhia da sua mulher. “Minha base agora será lá. Quero aproveitar a localização para chegar mais fácil aos torneios nos Estados Unidos e também na Europa. Mas não deixarei de vir para o Brasil para ver os familiares, pelos compromissos e também para participar do Brasil Open e do Rio Open.” Os dois torneios estão marcados para fevereiro.

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O tenista brasileiro não terá vínculos com um local específico para treinamentos nos Estados Unidos, mas admitiu que pode usar a estrutura da IMG Academy, conhecida por formar dez tenistas que já lideraram o ranking mundial - atletas do nível de André Agassi, Serena Williams e Boris Becker. “A IMG Academy já disse que está de portas abertas para eu treinar lá”, disse Bellucci.

Na Flórida, o tenista de Tietê vai retomar a parceria com o preparador físico Cassiano Costa, com quem trabalhou nas temporadas de 2010 e 2011. Bellucci terá ainda outro preparador para dividir os trabalhos porque Costa também atuará com a porto-riquenha Monica Puig, campeã olímpica nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016. Ele dividirá sua atenção com os dois profissionais em 2018.

Ao longo da temporada, Bellucci vai viajar com André Sá para todos os torneios. Os dois iniciaram a dobradinha em julho deste ano de forma provisória, com Sá mantendo sua atuação como duplista e também treinador. Assim, eles jogaram juntos em algumas poucas competições. 

O acordo virou definitivo somente em setembro. E, para a temporada do ano que vem, Bellucci não garante se Sá manterá seu calendário como duplista no circuito profissional. “Nossa parceria vai até novembro de 2018”, afirma. “Estou gostando bastante de trabalhar com ele.”

Com estas mudanças em sua carreira e em condições físicas após lesão, Bellucci espera retomar o alto nível em quadra nos próximos meses, principalmente depois de se recuperar da ruptura no tendão de Aquiles esquerdo. O problema físico o afastou das quadras (treinos e jogos) desde o fim de agosto. 

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Como consequência, Bellucci despencou no ranking da ATP. Ele começou o ano em 61.º lugar, mas agora figura na 113.ª colocação - portanto, o tenista brasileiro perdeu 52 posições. Sua melhor marca é a 21.ª colocação, obtida na temporada de 2010, quando tinha 22 anos. Ele também não é mais o número 1 do Brasil. Está em segundo lugar atualmente, atrás do também paulista Rogerinho, que é o 101.º da lista mundial. 

“Este ano foi bem negativo”, admitiu. “Tive bons resultados no começo da temporada, fiz a final de Houston (em abril) e a semifinal em Quito. Mas, no final, acabei tendo essa lesão. Parei três, quatro meses praticamente. Não terminei o ano como gostaria”, lamentou Bellucci. “Mas, acredito que o ano que vem será bem melhor para mim. Vou começar fisicamente bem, em pouco tempo vou conseguir voltar a estar entre os 100 melhores do mundo”, garantiu. 

Por isso, a principal meta para 2018 é reagir no ranking. Na busca por este objetivo, ele vai disputar o qualifying do Aberto da Austrália, o primeiro Grand Slam da temporada, em janeiro. “Será bom jogar o qualifying para pegar ritmo de jogo. Depois vou jogar em Quito, no Brasil Open e também no Rio Open, marcado para fevereiro. Gosto muito destes torneios da América do Sul, geralmente vou bem neles”, comentou Bellucci.

Por colocar o ranking como prioridade neste começo da temporada, Bellucci não garante presença nos primeiros confrontos do Brasil no Zonal da Copa Davis, em fevereiro e abril. “A prioridade é sempre o ranking, preciso jogar mais torneios agora. Mas, se estiver bem fisicamente, poderei jogar na Davis, como tenho feito nos últimos dez anos.” Bellucci está animado com a nova fase.

Quatro perguntas para:

1. Como você está fisicamente depois da contusão e já pensando em 2018?

Eu tive uma lesão séria, uma ruptura no tendão de Aquiles esquerdo, mas estou bem recuperado agora. Já voltei a treinar normalmente. Demorou um pouquinho para recuperar a forma física porque é uma lesão meio chata. Tentei voltar, mas senti dor e tive de parar. Voltei para a fisioterapia. E agora estou conseguindo retornar para a quadra. 

2. Quais são suas principais metas para a próxima temporada?

Eu gosto de estabelecer metas mais curtas, não para a temporada toda. A minha meta para os primeiros torneios do ano é voltar para o Top 100 do ranking da ATP (ele é atualmente o 113.º). Vou disputar o Aberto da Austrália e as três competições na América do Sul, onde gosto de jogar e geralmente vou bem. Entrando nos torneios maiores, já consigo uma posição melhor no ranking. Preciso de mais ritmo dentro da quadra.

3. Por que o Brasil terminará o ano sem um representante no Top 100 masculino?

Acho que foi coincidência porque o Rogerinho teve uma grande temporada, mas, no final, ele não jogou tão bem assim. O Rogerinho arriscou jogar os torneios da ATP, assim como o Thiago Monteiro. Ele poderia jogar os Challengers, mas quis arriscar nas competições da ATP. Deu uma caída, o que é normal. No ano que vem, ele vai voltar melhor, com certeza. E eu tive essa lesão séria também. Em 2018, nós três temos tudo para estar novamente entre os 100 melhores do mundo. 

4. Na parceria com André Sá, ele continuará morando em Blumenau (SC)?

Sim, mas, a princípio, ele vai comigo para todos os torneios. Como agora terei os Estados Unidos como base, vou contratar mais um técnico lá para complementar o trabalho. É um espanhol que mora em Bradenton. Não vou revelar o nome dele ainda porque não fechamos a parceria totalmente.

 

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