Lucas Figueiredo/CBF
Lucas Figueiredo/CBF

Em 2020, Tite tentará recuperar prestígio e dar cara nova para a seleção brasileira

Treinador viveu temporada de altos e baixos e viu seu principal jogador, Neymar, envolvido em polêmicas e ausente do campo

João Prata, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2019 | 10h00

O ano de 2020 será crucial para Tite na seleção brasileira. O treinador precisará dar uma nova cara ao time, reconquistar os torcedores e engrenar a equipe em meio a um calendário complicado. A partir de março começam as Eliminatórias da Copa do Mundo do Catar de 2022. Haverá ainda outras duas competições importantes: a Copa América e os Jogos Olímpicos de Tóquio.  Tite já não goza mais do prestígio que tinha no cargo. Terá de recomeçar.

O Brasil fechou a temporada em baixa, chegou a amargar uma sequência de cinco jogos sem vitória e a CBF foi bastante questionada por não conseguir agendar amistosos contra grandes seleções europeias e em locais não tão distantes do Brasil. Tite sabe que não é mais unanimidade no cargo e deve aproveitar o próximo ano para dar, aos poucos, espaço aos jogadores mais jovens, como Vinicius Júnior e Rodrygo. E tem a missão de recuperar outros, como Philippe Coutinho.

Muitos dos jogadores campeões da Copa América deste ano dificilmente chegarão em alta no Catar. Daniel Alves (36 anos), Thiago Silva (34), Miranda (34), Filipe Luis (33), Fernandinho (33) e Willian (31) são alguns exemplos de atletas que já passaram dos 30 e estiveram no torneio continental deste ano. A seleção será renovada.

Tite chegou aclamada à seleção brasileira em junho de 2016, no lugar do demitido Dunga. Era o início da caminhada rumo à Copa da Rússia. Com o novo treinador, o Brasil decolou e terminou as Eliminatórias em primeiro lugar com folga. Mas veio o Mundial-2018 e a queda nas quartas de final diante da Bélgica deu espaço para diversos questionamentos. O time jogou mal. Tite chegou a admitir que errou ao insistir em alguns atletas durante a competição.

Neste ano, a seleção se redimiu com a conquista da Copa América em casa, mas viu seu principal jogador, Neymar, se envolver em inúmeras polêmicas, ficar afastado dos gramados por causa de lesões e ser vaiado pelos torcedores do próprio Paris Saint-Germain. Tite defendeu seus comandados em todas as entrevistas, mas no fim do ano admitiu que os resultados foram abaixo do esperado.  

"Queremos resultados e não estamos satisfeitos. Mas também sei que é uma etapa, e os resultados de todos os momentos nesta fase de preparação é o menos importante. Nas Eliminatórias teve resultado? Teve. Na Copa do Mundo teve? Não. Na Copa América teve? Teve. Sei das etapas e sei da responsabilidade do técnico da seleção", afirmou o treinador em entrevista na cidade de Riad.

O treinador tenta colocar o Brasil nos trilhos. Os jogadores têm talento, mas não formam um time de encher os olhos. Longe disso. Falta carisma a todos eles, incluisve a Neymar. Tite já comandou a seleção em 48 partidas, metade delas em amistosos, como por exemplo os últimos cinco realizados depois da Copa América. Foram três empates (Colômbia (2 a 2), Senegal (1 a 1) e Nigéria (1 a 1)) e duas derrotas (Peru (1 a 0) e Argentina (1 a 0)). E uma vitória, o 3 a 0 sobre a Coreia do Sul no último jogo do ano. A sequência voltou a colocar em xeque o trabalho do treinador, mas ele tenta olhar adiante, como se quisesse justificar que 2019 foi o ano do plantio e 2020 será o ano da colheita.

"Terminamos a fase de oportunidades, de mudanças, de modificações de sistema, de oportunizar nomes. Agora termina esse ciclo para a gente ter condições de projetar competições, com a necessidade de desempenho e resultado associados." É dessa forma que o Brasil vai entrar nas Eliminatórias em março. Seus trê primeiros rivais serão Bolívia, Peru e Venezuela. 

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